TL;DR
O MCTI intermediou uma parceria entre a estatal Ceitec e a empresa chinesa Global Power Technology para produção de semicondutores no Brasil, visando transferência tecnológica e fortalecimento da indústria nacional. O acordo reforça investimentos estratégicos e busca reduzir a dependência externa em tecnologias críticas, alinhado à política federal Nova Indústria Brasil até 2033.
Parceria entre Ceitec e empresa chinesa intermediada pelo MCTI
De acordo com o IT Forum, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) intermediou uma importante negociação entre a empresa estatal Ceitec e a companhia chinesa Global Power Technology para a produção de semicondutores no Brasil. O acordo, ainda em fase de formalização, busca ampliar a capacidade tecnológica nacional no setor de semicondutores, essencial para a indústria digital e eletrônica.
Contexto da negociação e importância estratégica
A reunião que selou o acordo contou com a presença da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, da ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, além dos representantes das duas empresas. Segundo a ministra Luciana Santos, “a parceria possui elevado potencial estratégico e pode contribuir para ampliar capacidades industriais, promover inovação tecnológica e fortalecer a inserção do Brasil em cadeias globais de valor associadas às tecnologias críticas”.
Ceitec, sediada em Porto Alegre, é uma estatal focada no projeto e fabricação de circuitos integrados. Apesar de ter enfrentado um processo de liquidação iniciado em 2020, que foi revertido em 2021, a empresa mantém sua receita principalmente com chips de identificação logística e veicular, utilizados em pedágios eletrônicos, estacionamentos e rastreamento de ativos.
Investimentos recentes e avanços tecnológicos
Em dezembro de 2024, o MCTI anunciou um aporte de R$ 220 milhões para a Ceitec, distribuídos ao longo de três anos. Este investimento visa o desenvolvimento de uma nova linha de chips de carbeto de silício (SiC), com aplicações em dispositivos de potência, energia solar e veículos elétricos, áreas consideradas estratégicas para a transição energética e inovação tecnológica no país.
Histórico do setor de semicondutores no Brasil
O Brasil tem uma trajetória marcada por esforços para consolidar a indústria de semicondutores. Na década de 1970, políticas de incentivo foram implementadas, mas tiveram continuidade limitada nas décadas seguintes. Em 2000, o setor voltou à agenda nacional como o “elo ausente” da cadeia eletrônica.
Desde então, foram criados diversos programas para fortalecer o segmento, como o Programa CI-Brasil (2005) para formação de projetistas, o Programa PADIS (2007) que ofereceu incentivos fiscais para fabricantes, e linhas de crédito da Finep e do BNDES. O setor chegou a movimentar mais de R$ 3 bilhões anuais e gerar cerca de 2.500 empregos qualificados, conforme dados da Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (Abisemi).
Apesar desses avanços, o PADIS deixou de aceitar novos projetos em julho de 2020, e seus benefícios expiraram em janeiro de 2022, o que impactou a continuidade dos investimentos no setor.
Pressões e desafios da corrida global por semicondutores
O cenário internacional tem pressionado o Brasil a fortalecer sua capacidade produtiva em semicondutores. Países como Estados Unidos, China, União Europeia, Taiwan, Coreia do Sul, Singapura e Israel adotam políticas públicas robustas para incentivar a fabricação local.
Segundo levantamento da OCDE, entre 2014 e 2018, os principais países investiram cerca de US$ 36 bilhões em apoio a empresas do setor. Os Estados Unidos, por exemplo, aprovaram a lei CHIPS, que destina US$ 52 bilhões para a produção doméstica. A China planeja investir até US$ 200 bilhões até 2025. Taiwan e Singapura subsidiam diretamente a construção de fábricas, com o governo cobrindo parte significativa dos custos de infraestrutura e equipamentos.
No Brasil, a crise global de abastecimento impactou setores como o automotivo, que perdeu a produção de aproximadamente 120 mil veículos no primeiro semestre de 2021, conforme estudo da BCG divulgado pela Anfavea.
Quais os próximos passos para a parceria entre Ceitec e Global Power Technology?
Embora os detalhes do acordo ainda não tenham sido divulgados, a ministra Esther Dweck declarou que a parceria representa um “importante passo para que o Brasil tenha mais capacidade no setor que é de grande importância na área digital”.
A indústria de semicondutores está incluída nos setores estratégicos da iniciativa Nova Indústria Brasil, política federal com horizonte até 2033 que busca reduzir a dependência externa em tecnologias críticas. Documentos governamentais ressaltam que o desenvolvimento pleno do setor exigirá investimentos constantes durante pelo menos 15 anos, além da colaboração entre Estado, academia e iniciativa privada.
Esse modelo, similar ao adotado por Taiwan, Coreia do Sul e China, é considerado fundamental para o sucesso e fortalecimento da indústria nacional.
Entenda a importância dos semicondutores para o Brasil
Semicondutores são componentes eletrônicos essenciais para o funcionamento de dispositivos digitais, automóveis, equipamentos médicos e sistemas industriais. A capacidade de produzir esses componentes localmente é estratégica para garantir soberania tecnológica, segurança econômica e competitividade internacional.
Para saber mais sobre políticas públicas e tecnologia, confira também os artigos sobre ERP na nuvem e seus benefícios para médias empresas e Diferença entre ERP e BI na gestão empresarial.
O avanço da parceria entre Ceitec e Global Power Technology será acompanhado de perto como um marco para o desenvolvimento tecnológico brasileiro e a inserção do país em cadeias globais de valor.
Fonte: https://itforum.com.br/ceitec-chinesa-producao-semicondutores-brasil/
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Perguntas frequentes
Qual é o objetivo da parceria entre Ceitec e a empresa chinesa?
O objetivo é ampliar a capacidade de produção de semicondutores no Brasil por meio da transferência tecnológica e investimentos estratégicos.
Qual o papel do MCTI nessa negociação?
O MCTI intermediou as negociações entre a estatal Ceitec e a empresa chinesa Global Power Technology, facilitando o acordo.
Quais os investimentos anunciados para a Ceitec recentemente?
O governo federal anunciou um aporte de R$ 220 milhões distribuídos em três anos para o desenvolvimento de chips de carbeto de silício.
Por que a produção de semicondutores é estratégica para o Brasil?
Semicondutores são essenciais para dispositivos eletrônicos e a produção local garante soberania tecnológica, segurança econômica e competitividade.